segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amores que tendem ao infinito


"Que seja eterno enquanto dure"
, já dizia o poeta.
Não trago dores pra torcer pelo fim.
Não trago amores pra querer adiá-lo,
mas algumas flores obrigam-me a crer
que o tempo é astuto demais que eu devia odiá-lo.

"Vamos fugir deste lugar, baby! Vamos fugir..."

O tempo é um adulto frustrado
que quando criança fora aprisionado
em um pequeno objeto que o escravizou.
E hoje já a milhares avassalou !


"Temos todo o tempo do mundo,pois somos jovens, tão jovens..."

Quanta raiva ele tem agora
dos sonhos que conseguem fugir do seu domínio,
e nada mais é que um sonho, o meu amor,
porque este tende ao infinito.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Era uma vez


Alguns livros sendo lidos por garotas sozinhas.
Algumas notas sendo cantadas por uma doce voz, mas com ouvidos negligentes à ela.
Algumas perspectivas vistas por trás de olhos verdes astutos.
Alguma enorme beleza e delicadeza emporcelanada em uma boneca humana.


Era uma vez o silêncio observador e algumas meninas extrovertidas sem diversão.
Era uma vez o contraste de lábios vermelhos em pele branquíssima por trás de um pseudônimo.
Era uma vez o nacionalismo, o narcisismo, a organização e a inteligência invejáveis.
Era uma vez alguém que encontra satisfação ao ler e comer diferente dos outros.
Era uma vez sapatilhas de ponta a elevarem o sentimento de amor.

Num castelo, uma voz enclausurada dizia palavras em italiano que eram repetidas em inglês e cogitadas em espanhol.
Num castelo, o conhecimento atravessava as paredes de pedra e invocava outros cérebros à discussão.
Num castelo, as amigas desconhecidas e alheias ao que estava por vir compartilhavam da mesma sensação de "eu não pertenço a este lugar."

As princesas romperam as paredes de pedra, os muros e as estradas e sorriram ao questionar : "espelho, espelho meu, há alguém mais interessante do que eu?"
E fundiram-se em uma poção mágica preparada em um caldeirão completamente diferente, que mais parecia uma cápsula do tempo e, por fim, promoveram aos espectadores total encanto e confusão diante de uma combinação totalmente eclética e sedutora.

Era uma vez algumas mãos unidas a uma única a escreverem um conto de fadas.

(Texto para as minhas queridas amigas. ♥ Eu amo vocês.)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Identidade




As pessoas são o que elas seguem. Os atos e comportamentos nada mais são do que reflexos desse fato. Mas se tem uma coisa que me assusta é o parâmetro estabelecido pelos adolescentes de hoje (estou me sentindo um pouquinho marginalizada,rs) para definir o que é ou não interessante.
Há uma linha tênue entre apologia e admiração. Não vejo mal em promover o que se admira mas que o faça de forma saudável e que o que se admira seja no mínimo plausível.
Os jovens precisam reformular seus conceitos. Precisam definir o que gostam ou não e precisam argumentar diante dessa decisão, seja qual for o assunto.
"O que você tá lendo?" "Não gosto disso." "Porque não gosto."
O que diferencia pessoas inteligentes das demais é a capacidade de argumentar.
Prefiro ter personalidade instável, aberta a mudanças de opinião. Particularmente,acredito que isso é completamente diferente de ser vulnerável.
Seja ouvindo,lendo,conversando ou observando, influências são necessárias, mas cabe a nós filtrá-las e adaptá-las a algo totalmente pessoal : à personalidade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Metalinguagem.

Não é novidade que virei fã de Fernando Pessoa.Particularmente, Alberto Caeiro é a melhor de suas faces mas Álvaro Campos prende minha atenção tal qual o outro. No fim é mesmo Fernando Pessoa quem encanta-me.
Aprendi a ler aos 4 anos mas não sei quando aprendi a escrever.
Quando li, fui apresentada à porta que me leva aonde eu quiser.
Quando escrevi, ah, fui levada à porta que me leva aonde eu nunca imaginei que poderia ir...até a mim.

Eu não podia deixar de colar Fernando Pessoa aqui, não é? Então aí vai...



"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa"

domingo, 23 de maio de 2010

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa




(Para minha querida amiga Beatrice)

sábado, 8 de maio de 2010

(...)



"Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico p. da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem." (Lya Luft)

Pois é! ouvi uma crítica pesada à escritoras e coincidentemente,dias depois, li esse trecho da Lya Luft que confesso que me deixou um pouco mais feminista. Leio e sou fã de muitos homens mas acabei de deixar José de Alencar na estante para ler Lispector. Por um tempo,só por egoísmo, por rebeldia, rs. Esse post não é de revolta até porque não me considero escritora, amadora talvez.

(O parágrafo significa 5 minutos pensando depois do último ponto)

Então... não sei nem porque escrevi isto mas...eis aí uma coisa que me faz rir.



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Enjambements (Mayara M.)


E se eu viver um dia em
dois capítulos? Ou outros
capítulos mais, ainda?
Ninguém precisaria
entendê-los desde que eu o
fizesse como ninguém.