domingo, 29 de maio de 2011

Vocativo


É luz.
Chama.
Amarela, e grita.
"Amar ela", devias.

Mas se na frase me faço necessário,
mais lindo que o sujeito, porque fui necessitado,
desejado...
Basta que me coloques entre vírgulas
e mesmo rodeado de impressões,
irei me sentir sozinho.

Não quero ser o pôr-do-sol,
Não quero ser coadjuvante.
Quero que, depois que chamar-me com os seus olhos
fique comigo.
Até todas as estrelas do céu apagarem-se.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E Ter Na Mente


Pretéritos mais que perfeitos
não têm que significar uma ação já terminada.

Quisera estender um verso até o fim do universo,
e ir atrás dos raios conjugados no infinito
de um espelho esférico...
Pudera!

Quisera nadar até o fim do oceano para
alcançar o pote de ouro do arco-íris no início de uma
manhã...
Fizera!

Porque convém que a vida sopre sem descanso
nos pulmões de uma sépia,
Eterno é o que não se consegue esquecer.
E quanto ao inesquecível?
Ah, isso já é lá outra coisa que inventaram pra
poucos instantes com poucos sentimentos que passam...

Amar É Ter na Mente.
E amor não se acaba.

sábado, 30 de abril de 2011

Dictum et Factum : A Língua Brasileira


Para que a chuva ouça a prece do nordeste,
Em oração de fé e pesar,
Para os Aurélios Alagoanos
E para todo o poeta que decidir amar...

Porque é ela que faz Lampião gritar
por Maria Bonita pra fazer café.
É só pela língua que se ouve Iara, a Mãe d'água
cantar,
e louvores a São João entoar!

Deixa que os velhos ensinem aos netos
em seus provérbios
que é melhor calar quando se quer falar,
Deixa que a capoeira abrasileire a lusoáfrica no cantar
E que Quaresma tupiguaranize conversas no ar!

Porque ainda que haja silêncio na floresta
do mico leão dourado, e que o boto adormeça,
haverá palpitações suas nos corações
dos filhos deste solo...

Que Mário de Andrade Sintaxe à vontade
para nos fazer lembrar que nossa Língua Brasileira
Não quer estar deitada sobre regras gramaticais,
mas quer sentida pelo amor dos modernistas,
que se renova dia após dia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mar de Sereia



"Ponta de Lápis, escrevo o amor à vista (...)"

Meu amor pertence a uma Sereia que tem canto
de mulher rendeira e não espera pelo sol
pra desfilar uma jangada.

A Minha Sereia arruma seus cabelos
quando o vento vem saudar os coqueirais,
é ela quem faz
o sol pousar um beijo
nos seus olhos verdes todos os dias, fielmente.

A minha sereia também mora em águas doces,
entrega a sua força aos que adentram
na Mundaú no escuro da noite.

Mas é no mar que um assovio
misturado de sal, sol e areia clara
Faz dormir seus amantes sob a maresia.

Porque a minha sereia é rainha da noite tanto quanto é do dia.

sábado, 26 de março de 2011

Maldades,Murmúrios e Machado.


(Lembranças de Capitu)

Perdoem-me os clérigos!
Mas eis que escolhi a dor.
É sim, isso mesmo que está lendo...
E não, não se trata de amor.

É fascínio,
sina,
vício,

da dúvida e do calor
de mares e de ressacas,
duvidar de ciganas oblíquas e dissimuladas
que nunca conheceram inocência pueril!
Porque nunca brincou feito crianças, oras,
escrever nomes em corações nas paredes
era pois seu jogo hostil.

Seduziu.

Beleza, inteligência e mentira
fizeram um homem vacilar...
Salvemos Capitu, nós, neste dia hoje
fizera o mínimo que se pudera fazer,
por vingança de
até hoje ser impossível saber
o que um homem está a, de fato, pensar.

Meandros


Talvez não seja exatamente
culpa da velocidade do rio.
Mas é bem verdade que rios velozes
são muito hostis...
Não sei, meu bem,
na verdade não sei.

Talvez arrastaram-se areias demais,
pedras demais, lágrimas demais
e então meu bem,
minhas águas agora fazem curvas demais!

Mas se trilho por essas curvas,
e faço arrodeios demais,
é para que não saibas demais
sobre mim,
é que me deixas presa em tua rede,
sereia tua fazendo o curso do meu
próprio rio, para depois, talvez,
desaguar no teu mar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre Cachimbos e Verdades Humanas


Não meu caro,
"Isto não é um cachimbo",
posto que não o tenho, não o toco,
não o sinto.

Dormência voluntária humana é pois
um irmão de exemplo.
Não sentes, não vês, não falas, não vives...
Não te importas e nem olhas para o céu.
Existes?

Sapiência não basta,
preciso é sentir.
Ou pensas que no mundo das ideias
consegues ser humano?
Ser...Humano?