sábado, 15 de outubro de 2011

Eu leio, tu lês.


Se caso a minha aorta incomoda-me com
pesares e devaneios de um certo coração,
Se acaso a minha dormência me acorda para um
mergulho em um mar de ilusão...
Se por descaso me pego numa catarse absurda
e sem fim,
Se resolvo FernãoCapeloGaivotar num céu azul
dentro de mim...

Estarão as palavras dispostas em suas nuvens e
raios sob meu voo infinito,
diante dos meus olhos, em mil por-de-sóis na varanda
de Dona Benta...
São contos, versos,
(controversos, às vezes, confesso!)
Repletos
de fome e paixão.

Convém que um país se forme
"De homens e livros..."*



*Referência bibliográfica a Machado de Assis

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Xadrez.

Eu não pretendia Caio Fernandear quando acordei hoje, achei que sairiam duas ou três poesias dos meus instantes, apenas.
Mas não dá pra resistir quando dois universos presos numa retina quebram as nossas pernas, não é mesmo?
Q = m . c . ΔT .
Enquanto, em uma aula de física, eu desistia aos poucos de entender essa coisa toda de quantidade de calor, um vaga-lume de ideia (sim, um insight poético é um pouco demais pra mim) me veio depois de mastigar essa palavra e misturá-la à saliva : calor. E por que não recorrer à sinonímia e falar de paixão?
Muita gente pensa que a linha entre amor e paixão é muito tênue - não vou negar que dá pra confundir bastante- mas se existem duas coisas determinantes de algo, do caráter de algo, estas são o início e o fim delas.
Quando um ser humano se apaixona, ele sorri. E se envolve inconsequente porque sabe que haverá um momento em que ele irá cair. Mas quando trata-se de amor, tudo parece enorme, e eterno. E os sorrisos dissipam-se na semana que vem. E ainda assim, tudo vale a pena, porque o amor coloca a pessoa à prova. Coloca seus sorrisos, seus medos, sua força... sua verdade à prova.

E se alguém insistir em fazer o roque se caso a sua torre estiver ameaçada, não merece nada disso.

"(...)-Desista de esconder que quer me eternizar num parágrafo seu.
-Por que você realmente acha que eu escrevo para você?
-Porque eu conheço todos os seus xeques, moça. Imagina o que eu não sei de você fora do tabuleiro.
-É verdade, meu bem. Então deve saber também que tudo aqui é uma releitura machadiana,
a psique problemática combina perfeitamente com você.
-Quando você vai aprender que essa mania de falar estranho é um saco, hein menina?
-Quando você parar de achar que meu rei está vulnerável a você (...)"

*Spoiler do conto Xadrez, por Mayara Melo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Catarse


Sinestesia.
O badalo dos sinos e a tristeza
ao passar por um parágrafo escuro...
Recostado a um muro,
pensei em segurar as lágrimas apenas
para que não me borrassem as páginas.

Mas se a morte do jovem Werther
não me verte em morte,
volto à estante
e me pego num instante com ciúmes de Capitu.

E ainda se sentir o gosto de veneno no beijo
de Julieta, não vou parar.

As próximas palavras serão Memórias Póstumas.

domingo, 29 de maio de 2011

Vocativo


É luz.
Chama.
Amarela, e grita.
"Amar ela", devias.

Mas se na frase me faço necessário,
mais lindo que o sujeito, porque fui necessitado,
desejado...
Basta que me coloques entre vírgulas
e mesmo rodeado de impressões,
irei me sentir sozinho.

Não quero ser o pôr-do-sol,
Não quero ser coadjuvante.
Quero que, depois que chamar-me com os seus olhos
fique comigo.
Até todas as estrelas do céu apagarem-se.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E Ter Na Mente


Pretéritos mais que perfeitos
não têm que significar uma ação já terminada.

Quisera estender um verso até o fim do universo,
e ir atrás dos raios conjugados no infinito
de um espelho esférico...
Pudera!

Quisera nadar até o fim do oceano para
alcançar o pote de ouro do arco-íris no início de uma
manhã...
Fizera!

Porque convém que a vida sopre sem descanso
nos pulmões de uma sépia,
Eterno é o que não se consegue esquecer.
E quanto ao inesquecível?
Ah, isso já é lá outra coisa que inventaram pra
poucos instantes com poucos sentimentos que passam...

Amar É Ter na Mente.
E amor não se acaba.

sábado, 30 de abril de 2011

Dictum et Factum : A Língua Brasileira


Para que a chuva ouça a prece do nordeste,
Em oração de fé e pesar,
Para os Aurélios Alagoanos
E para todo o poeta que decidir amar...

Porque é ela que faz Lampião gritar
por Maria Bonita pra fazer café.
É só pela língua que se ouve Iara, a Mãe d'água
cantar,
e louvores a São João entoar!

Deixa que os velhos ensinem aos netos
em seus provérbios
que é melhor calar quando se quer falar,
Deixa que a capoeira abrasileire a lusoáfrica no cantar
E que Quaresma tupiguaranize conversas no ar!

Porque ainda que haja silêncio na floresta
do mico leão dourado, e que o boto adormeça,
haverá palpitações suas nos corações
dos filhos deste solo...

Que Mário de Andrade Sintaxe à vontade
para nos fazer lembrar que nossa Língua Brasileira
Não quer estar deitada sobre regras gramaticais,
mas quer sentida pelo amor dos modernistas,
que se renova dia após dia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mar de Sereia



"Ponta de Lápis, escrevo o amor à vista (...)"

Meu amor pertence a uma Sereia que tem canto
de mulher rendeira e não espera pelo sol
pra desfilar uma jangada.

A Minha Sereia arruma seus cabelos
quando o vento vem saudar os coqueirais,
é ela quem faz
o sol pousar um beijo
nos seus olhos verdes todos os dias, fielmente.

A minha sereia também mora em águas doces,
entrega a sua força aos que adentram
na Mundaú no escuro da noite.

Mas é no mar que um assovio
misturado de sal, sol e areia clara
Faz dormir seus amantes sob a maresia.

Porque a minha sereia é rainha da noite tanto quanto é do dia.