terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre Cachimbos e Verdades Humanas


Não meu caro,
"Isto não é um cachimbo",
posto que não o tenho, não o toco,
não o sinto.

Dormência voluntária humana é pois
um irmão de exemplo.
Não sentes, não vês, não falas, não vives...
Não te importas e nem olhas para o céu.
Existes?

Sapiência não basta,
preciso é sentir.
Ou pensas que no mundo das ideias
consegues ser humano?
Ser...Humano?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Passarelas


Em algum canto do mundo,
deve se ouvir o canto de um pássaro
que encanta na solidão onde mora...
Que bate as asas tristes e enamora
borboletas, e sem nenhuma beleza
tem graça além da beleza da aurora.

Mas se o sonho acaba quando o dia mente,
diamantes compram meias verdades
Porque estas meias de lã aquecem-me os pés
nas chuvas que enluvam-me as mãos
se caso quiser escrever sobre o acaso que
entra pela janela junto com as minhas manhãs.

E vou levando a vida
equilibrando passos em vagões de trens, ladrilhos e notas de sino
Quando minha sina nada mais é
que quebrar a cabeça com certos trocatrilhos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Hipérboles


Quando eu choro uma tempestade
os mil minutos da minha hora
desembaçam-me os olhos para que entenda por fim
que as nuvens nunca foram de algodão.

Chego a morrer de raiva quando
elas desfilam hostis no céu que pertence a mim
colocando-se entre meus olhos e minhas estrelas.

Malvadas nuvens que são! levam-me em pensamento
até que o preguiçoso vento decida
castigá-las.

Então encontram-se as nossas águas
no meu choro de chuva e preciso reconhecer
que já experimentei milhões de vezes
repudiar loucamente pessoas dramáticas.

Mas antes das nuvens, devo admitir
que nunca conheci um alguém mais dramático que
eu mesma!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

IL FAUT (É necessário)


É necessário que se esteja disposto a viver:
Sorrir,chorar, e é claro, esquecer.
Pois convém que a alegria se faça em uma lembrança.

É necessário deitar-se em algum lugar verde
e procurar estrelas familiares no céu noturno,
chamá-las por nomes que só você conhece.

É necessário molhar o rosto com pingos de chuva,
conversar com os avós, montar um quebra-cabeças
e ouvir uma música.

É necessário fazer uma prece, acreditar, e não
deixar que nada leve embora a sua fé.

Porque ao acordar por esses dias,
se faz necessário crer acima de tudo que viver
de verdade é possível,
ainda que se viva em versos de poesia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Carta a Vinícius de Moraes


Querido Poetinha,
Digo-vos que sou Uma Menina com Uma Flor,
caso queiras,
e posso também ser Chama, portanto
não podendo ser Imortal.
Mas prometo ser infinita enquanto dure.
A luz dos olhos olhos teus
faz com que eu deseje de tudo a ti ser
atenta
, meu amor.
Porque em meus gestos, existem os teus gestos
e em minha voz, a tua voz.

Posto que teus poemas
movem meu coração e concedem-me este ar.
Ar pois que te faltou na angústia de quem vive,
e que deixa-me a esperar-te na solidão de quem ama.
Estou agora a reclamar-te promessa mal cumprida.
Não te lembras que uma nuvem só acontece se chover?
Poderei eu, sozinha, fazer uma nuvem acontecer, Meu Poetinha?
Pois acontece que por ti, meus olhos já começaram a chover.
E sozinhos.
Mas eu sei que vou te amar, por toda a minha vida.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quero


Cortarei pois estes trilhos
tal qual um cateto:
num pleonasmo proposital de perpendicularidade reta,
sem hesitações.

Quero ter um dejavù porque
outrora sonhei exatamente como seria o meu caminho,
e não porque sei que serão
apenas traços paralelos
até a minha estação final.

Quero bater as minhas asas freneticamente
sem sair do lugar,
quero ser beija-flor
E quando decidir voar para alguma direção,
o farei sem pisar nos retângulos frios de aço,
que repousam sobre as pedras
por mim vistas do alto.

Olhos enfadados num banco de estação
não verão minha vida passar por entre poucos vagões.
Tenho asas. Se quiserem, espectadores,
expectem para a minha vida nuvens e estrelas
porque, diante de tudo que quero,
quero mais ainda ser um motivo
pelo qual as pessoas olhem o céu.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Metamorfoses

Pessoas mudas numa dança.
Um,dois, passos para lá.
Um dos passos para cá.
Então já não te lembras
dos sorrisos da infância,
e então te embriagas num ritmo
surdo de mudança.